Analisamos a "questão écológica" como efeito do progresso tecnológico nas
suas diferentes fases e enfatizamos sua dimensão prioritariamente política. A idéia central é a de que as novas tecnologias produzem um novo modelo de sociedade e de relações sociais, com inegável melhoria na qualidade de vida das populações, mas geram conflitos sócio-políticos e culturais. Nosso objetivo é analisar os impactos da tecnologia, e a “questão ecológica” na dimensão geopolítica. Partimos da hipótese de que esses impactos, gerados pela mundialização da produção e a globalização da economia, são causa e efeito das políticas de desenvolvimento. Relacionamos o desenvolvimento da consciência ecológica à construção da “questão Amazônica” como problema ecológico e
político mundial. Nesta perspectiva estudamos a grande "questão ecológica brasileira": os impactos ambientais na Amazônia, sua devastação e internacionalização, e as condições políticas internas e internacionais para o seu aparecimento. Dentre as principais correntes que promovem a conscientização ecológica e denunciam os efeitos nefastos do progresso, destacamos a importância do Club de Roma e seu paradoxo político-teórico: pregar o fim de um modelo de desenvolvimento baseado na exploração das matérias primas e no industrialismo, e subrepticiamente, realizar a apologia da mundialização, da
planetarização da política, da cultura e da economia e defendendo um sistema de gerenciamento e tutelagem de sociedades “frágeis” economica e politicamente, consideradas como grandes produtoras de riscos tecnológicos e ecológicos.