Este artigo reinterpreta a teoria da democracia orientada para processos de Charles Tilly à luz do direito internacional, com foco nas narrativas judiciais estabelecidas entre tribunais nacionais e a Corte Interamericana de Direitos Humanos durante a fase de monitoramento do cumprimento. Argumenta‑se que a democracia na América Latina adquire um caráter multinível, à medida que narrativas judiciais recalibram a proteção de direitos ao mesmo tempo em que disputam autoridade e legitimidade para além das fronteiras. Empregando uma metodologia mista, que combina análise quantitativa de conteúdo com análise crítica do discurso de três casos paradigmáticos da Argentina, do Brasil e do México, o estudo identifica os tribunais nacionais como coautores da soberania e guardiões da democracia. Longe de serem meros implementadores passivos, os tribunais desempenham uma função política ao remodelar redes de confiança e a consulta com efeitos vinculantes. Os resultados demonstram que as narrativas judiciais podem assumir as formas de engajamento, resistência ou silêncio estratégico.