O trabalho realiza uma incursão na história do pensamento criminológico a fim de contribuir para um mapeamento das teses sobre as causas e remédios do crime, a partir de uma tímida Criminologia que já nascia no início do século XIX com os estudos sobre fisiologia cerebral. Analisa-se o movimento de “medicalização” do criminoso por uma leitura histórica do impacto do “cientificismo cerebral” na esfera criminal. Para tal, percorre as obras de Franz J. Gall, Cesare Lombroso e outros frenologistas e criminólogos oitocentistas. A influência das teses positivistas nas explicações sobre a conduta delituosa e a recepção dos laudos psiquiátricos pelo Direito demonstram a construção de um Poder “Médico-Judiciário”. A pesquisa sobre o homicídio do ex-presidente americano Garfield, praticado por Guiteau, nos permite concluir que, no microcosmo de um caso concreto, reflete-se a consolidação de um novo paradigma, que contestou a noção de livre arbítrio, introduziu o debate sobre retribuição versus tratamento, e se fez ouvir pelas propostas de medidas preventivas em nome de uma defesa social. Na contemporaneidade, presenciamos o resgate das teses sobre a mente criminosa, em que ganham força as novas tecnologias de imagem que traduzem o cérebro em atividade, revitalizando a discussão inaugurada no século XIX e propondo
novos desafios na interpretação da relação crime-doença, prisão-hospital, médico-juiz, punição-terapêutica.